10/01/2026 strategic-culture.su  4min 🇸🇹 #301484

 De violents raids aériens américains sur Caracas et des bases militaires vénézuéliennes

Os Eua conseguiu uma mudança de regime na Venezuela ?

Raphael Machado

Estamos diante de um clássico modus operandi dos EUA: muita pirotecnia, pouca substância, zero prognosticação.

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Logo após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, rapidamente começou-se a divulgar o evento como um caso típico de operação de "mudança de regime" contra o seu novo alvo e inimigo, a Venezuela. Críticos e apoiadores do bolivarianismo inundaram as redes sociais com postagens anunciando o "fim" do chavismo.

3 dias após o evento - e com muitas coisas insuficientemente explicadas, como a pouca reação militar venezuelana durante o ataque - o panorama venezuelano permanece complexo.

Primeiro, vamos à realidade dos fatos: o chavismo ainda governa em Caracas. A vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, foi empossada como presidente interina em uma cerimônia que contou com a participação destacada dos embaixadores da Rússia, da China e do irã. Ela o faz, ao que tudo indica, dispondo do consenso de seu irmão Jorge Rodríguez, que comanda a Assembleia Nacional, do Ministro da Defesa Padrino López e do Ministro do Interior Diosdado Cabello. Também o filho de Maduro, seu homônimo, declarou apoio ao arranjo institucional que vê Delcy Rodríguez desempenhando o papel de liderança nacional, enquanto seu pai é processado nos EUA.

Terá havido a expectativa de que as coisas correriam diferentemente?

Sinceramente, todas as declarações de Donald Trump e Marco Rubio, após o sequestro de Maduro, dão a entender que mesmo que consideremos o sequestro em si como uma operação militar bem sucedida, politicamente o evento parece ter sido impensado. O governo dos EUA já rechaçou a noção de dar poder à oposição, e afastou até mesmo a perspectiva de novas eleições.

Chama a atenção o fato de que logo após o sequestro, a mídia ocidental anunciou que Delcy Rodríguez teria fugido do país, o que obviamente era mentira. Recentemente, também, alguns canais e perfis anunciaram uma suposta tentativa de golpe em Caracas por parte de Diosdado Cabello.

Esses boatos propositalmente espalhados apontam para a continuação da guerra híbrida contra a Venezuela, sob a modalidade da guerra psicológica, mas também pode revelar expectativas e, talvez, até mesmo informações "falsas" recebidas pelos EUA sobre a situação na Venezuela.

Talvez, de fato, a expectativa dos EUA fosse de que a remoção de Maduro poderia levar a uma disputa pelo poder por parte das figuras mais importantes do chavismo, e que o resultado natural de um conflito do tipo seria uma mudança de regime. Mas nada disso acontece e, por enquanto, parece que um grande consenso paira sobre o panorama político venezuelano.

Também é plausível que os EUA tenham se surpreendido com a falta de manifestações positivas por parte de venezuelanos pela remoção de Maduro. Na Venezuela só se vê protestos criticando a ação imperialista dos EUA. Até mesmo a oposição uniu-se aos governistas exigindo a devolução de Nicolás Maduro.

Isso representa um problema significativo.

Ao longo dos últimos anos, os EUA têm insistido na narrativa de que Edmundo González teria conseguido triunfar sobre Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 2024, com mais de 70% dos votos válidos, o que equivaleria a dizer que González tinha o apoio de mais de 20 milhões de cidadãos. Onde estão essas pessoas ? Por que não houve comemorações, na Venezuela, pelo sequestro de Maduro ? Não adianta apelar a tese da "repressão". A "repressão" não impede opositores de tentarem fazer os seus protestos mesmo na China.

É provável que a timidez até mesmo daqueles que votaram em González (a minoria da população) se deva, simplesmente, ao fato de que os índices econômicos venezuelanos, de fato, vem melhorando nos últimos anos: Inflação caiu de 1.700.000% pra 85%, IDH voltou a crescer, saindo de 0.660 para 0.705, taxa de desemprego caiu de 33% pra 6%, crescimento do PIB de 6.5% (de 9% apenas no terceiro trimestre) e assim por diante. A Venezuela está, de fato, em uma maré de recuperação que vem já de 4 anos ininterruptos.

Pode ser a cautela típica de quem, após muitos anos, finalmente está vendo sua vida melhorar e prefere se resguardar contra mudanças muito bruscas no curso do comando do país.

Tampouco há evidências de que o novo governo interino venezuelano teria concordado com qualquer realinhamento geopolítico. Mais do que a questão do petróleo, sabemos que o elemento determinante na questão venezuelana é a garantia de alinhamento automático de todo o continente aos EUA, e a Venezuela, ao contrário, escolheu um caminho de aproximação com Rússia, China e Irã.

Nesse sentido, as notícias indicando que a Venezuela voltaria a fornecer petróleo para os EUA não significam muita coisa. A Venezuela sempre quis vender petróleo para os EUA e, inclusive, vinha vendendo petróleo para os EUA, tanto no governo Chávez quanto no governo Maduro, após um período de interrupção pelas sanções.

A questão é, realmente, se os EUA vão conseguir convencer a Venezuela a parar de vender petróleo para seus aliados, bem como a romper laços militares e alinhamentos diplomáticos. Aí, sim, se poderia falar numa vitória dos EUA.

Por enquanto, porém, estamos diante de um clássico modus operandi dos EUA: muita pirotecnia, pouca substância, zero prognosticação.

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